Boletim dos Obreiros

A correta perspectiva do Natal

Natal! Data magna do cristianismo. Não há evento que o ultrapasse em importância no contexto histórico. A expressão, em si, refere-se ao dia do nascimento de algum indivíduo. 25 de dezembro tradicionalizou-se como "Dia de Natal", para comemoração do nascimento do Senhor Jesus. 

Com a expansão do cristianismo entre os povos, a comemoração do Natal passou a ter uma perspectiva voltada para os fatos históricos terrenos que compuseram o evento, à luz dos relatos dos Evangelhos sinóticos escritos por Mateus e Lucas, que se preocuparam, apenas, com o registro dos fatos pertinentes à vida e à Obra de Cristo, sem conotação dogmática. Por sua vez, João escreveu o seu Evangelho para contestar, ainda no primeiro século da Igreja, a heresia dos gnósticos, que negavam a Divindade de Cristo. 

A verdade é que o mundo habituou-se a comemorar o evento apegado, apenas, à perspectiva histórica terrena, perdendo a importante perspectiva do profundo conteúdo teológico do nascimento do Senhor Jesus. Daí os cenários natalinos, com os lances notáveis e comoventes envolvendo Maria e José, a estalagem e a manjedoura pobre, a presença dos anjos, os pastores, os magos, etc. Na seqüência dos tempos outros elementos decorativos e simbólicos foram acrescentados para acentuar, expressivamente, a comemoração, surgindo o tradicional presépio e outros acessórios figurativos. 

Queremos salientar a correta perspectiva, oferecida pelo evangelista João, pouco contemplada nos dias de Natal, mas de capital significado. Registra ele o nascimento do Senhor Jesus, afirmando: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória do unigênito do Pai". Que reportagem notável! Conduz-nos a valores eternos que têm a ver com o nascimento do Senhor e O envolvem integralmente! No contexto, contemplamos toda a grandeza desses valores! Vejamos: 

1. ELE É O ETERNO - "No princípio..." (v.1). Essa expressão afirma a eternidade do Senhor! Nascia em Belém alguém que preexistia ao Seu próprio nascimento humano, pois era o próprio "Princípio". 

2. ELE É O VERBO - "No princípio era o Verbo" (v.1). Jesus Cristo é chamado de "Verbo" (v.14; 1Jo. 1:1; Ap.19:13), a saber: "Palavra Criadora de Deus" (Gn.1:1-26; Sl.33:6); "Palavra Reveladora" (Sl.33:4; 119:89); "Palavra Salvadora" (Sl.107:20). João ressalta que o "Verbo" preexistente assumiu plenamente a existência humana, para se fazer igual aos seres humanos. (Fp.2:5-11; Hb.2:10-11,14). 

3. ELE É DEUS CRIADOR - "estava com Deus, ... era Deus ... todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez" (vs.1-3). A Divindade de Cristo, tema fundamental do Evangelho de João, é a base segura da eficácia da Sua Obra Redentora, tal como é incontestavelmente real a Sua Obra Criadora. Veja Cl.1:15-17; Hb.1:2. Se Ele não fosse Deus, inútil seria o Seu nascimento, e tudo o que fez ineficaz, para tornar válido o projeto Divino de restaurar o homem caído à comunhão com Deus. 

4. ELE É A VIDA - "a vida estava nele..." (v.4). Esse conceito nos leva a pensar no benefício básico da Obra Salvadora, exposto amplamente por João em seu Evangelho. A vida é o dom por excelência que Deus oferece aos seres humanos. Essa vida não termina com a morte (Jo.11:25), por isso, é chamada, geralmente, de "vida eterna" (Jo.3:16; 5:24). 

5. ELE É LUZ - "era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela" (vs.4-5); ... a verdadeira luz, que, vinda ao mundo ilumina a todo o homem" (v.9). João designa a ação reveladora e salvadora de Cristo, com o simbolismo da Luz (Jo.8:12; 9:5; 17:46).

6. ELE HABITOU ENTRE NÓS - (v.14). Isso significa que Ele pôs a Sua tenda de acampamento no meio dos homens, fazendo-se homem ("carne"), para poder servir, na condição humana, ao propósito do Pai de nos resgatar da perdição eterna (Fp.2:7-8). 

7. ELE REVELOU A GRAÇA, A VERDADE E A GLÓRIA DE DEUS - (v.14). Com a expressão "graça e verdade", que pode ser traduzida por "amor e fidelidade", João proclama que em Jesus Cristo ele reconhece o próprio Deus. A "glória" refere-se à presença ativa de Deus para salvar o Seu povo (Jo.2:11; 17:5). 

Celebremos o Natal com essa correta perspectiva e seremos favorecidos espiritualmente! O Natal não é apenas a lembrança pontual de um evento histórico, mas a permanente experiência da abençoada realidade cristã!