Boletim dos Obreiros

Alegrias e … alegria

"...na tua presença há plenitude de alegria..."
(Sl.16:11)

Março chega, inaugurando-se, neste ano, com o carnaval tão esperado e até antecipado por muitos. É no calendário do mundo uma das datas mais festejadas. Muitas são as razões que fazem dessa data uma expectativa incomum: o comércio, os apetites carnais (é a festa da carne), os desejos incontidos dos prazeres escusos, etc. Procura-se sintetizar, equivocadamente, todas essas sensações com a expressão "alegrias".

O período deplorável que contém esse tipo de comportamento é chamado de "tríduo das alegrias". Em todas as múltiplas, escandalosas e imorais manifestações carnavalescas, que formam todos os cenários da vida diurna e noturna das pessoas, nas ruas e praças, nas praias, nos clubes e até nas residências familiares, em todas as partes do país proclama-se o pleno gozo das alegrias da vida! Nada há mais falso e contraditório! Que ledo engano envolve a todos.

A verdade é que, melancolicamente, após esse período de loucuras, confrontam-se todos com a tristonha realidade da "quarta-feira de cinzas"! E, então, um quadro de desespero e desgraça assola as pessoas destruídas familiar, social e moralmente. Defrontam-se muitos com situações de desgraça irreversíveis, que aumenta assustadoramente o número de suicídios. Lares se desfazem. Jovens se infelicitam e anulam todas as boas perspectivas da vida. Quanta frustração!

Que "alegrias" são essas que experimentaram? As forjadas e estimuladas por satanás, que na verdade são falsas, enganosas, passageiras e resultam, afinal, em ruínas e na mais profunda tristeza! Essas são as "alegrias" que vêm de fora. Acabam com o fim da festa. Findam-se quando o espetáculo termina e o pano desce! Ficam apenas as cinzas da desgraça e da miséria, resultantes da imoralidade insana e da despudorada experiência pecaminosa.

Enfim, tudo não passa de um tremendo erro de conceituação do que é ALEGRIA. O conceito que o mundo adota tem, erroneamente, o seu foco no que acontece exteriormente, ou seja, nas "festas", nos "divertimentos", nos "jogos", nas "danças" e noutras "alegrias". O filólogo Aulette, que adota, secundariamente, esse conceito mundano na sua definição de "alegria", define-a, primariamente, como "júbilo", "prazer moral" e "contentamento".

Na verdade, Deus criou o homem para ser "alegre". Essa deve ser uma característica imanente do ser criado por Deus. Essa "alegria" decorre da própria presença de Deus no homem criado à Sua imagem e semelhança. O pecado separou o homem de Deus e, conseqüentemente, anulou a sua experiência da autêntica alegria! Por isso, o homem procura alegrias substitutivas nos fatos exteriores, que ele mesmo cria, sob motivação satânica, para satisfazer a essa sua necessidade imperativa. E se dá mal! É coisa que jamais vai conseguir.

No texto que encima esta crônica, Davi nos dá o conceito correto da autêntica alegria: “na tua presença há plenitude de alegria”. Nada mais exato. Somente na presença de Deus se alcança a plenitude de alegria. E a presença de Deus é prerrogativa dos que nascem de novo. Dos que, pela fé, alcançam o privilégio de serem feitos filhos de Deus. Jesus Cristo é a nossa alegria! Três aspectos dessa verdadeira alegria são apresentados em Jo. 16:20,22 e 24:

1 – A NOSSA TRISTEZA SE CONVERTE EM ALEGRIA (v. 20): “e o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria". A presença de Jesus Cristo em nós garante indizível e perene experiência de alegria, apesar das circunstâncias adversas da vida.

2 – NINGUÉM PODE TIRAR A NOSSA ALEGRIA (v. 22):- "vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar". Se as alegrias do mundo são efêmeras, a nossa alegria é plena e permanente. Não há o que a possa arrancar do nosso interior. Satanás já está derrotado.

3 – A NOSSA ALEGRIA É COMPLETA (v. 24): “pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa". Tudo o que Deus faz é completo. Assim é a Sua alegria em nós. A alegria do Senhor em nós é total!

O melhor exemplo é Paulo, escrevendo na prisão: "Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor" (Fp.4:10). E, por isso, nos exorta: “Alegrai-vos sempre no Senhor, outra vez vos digo, alegrai-vos" (v. 4).

Rejeitemos as "alegrias" falsas que o carnaval oferece. Mantenhamos a incomparável experiência da VERDADEIRA ALEGRIA, JESUS CRISTO EM NÓS! Como compôs Bach, “Jesus Cristo, a alegria dos homens”.