Boletim dos Obreiros

O governo da igreja local

 

 

Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual Ele comprou com o seu próprio sangue

Atos 20:28

 

Vamos tratar do assunto “O GOVERNO DA IGREJA LOCAL” à luz dos ensinos da Palavra de Deus.

1. Em Filipenses 1:1 Paulo usa uma expressão das mais importantes em termos de referência à igreja local, onde se define composta de três grupos de pessoas: “todos os santos” em Cristo Jesus, inclusive “bispos e diáconos”. 

Os “santos” são os cristãos que realmente formam o grupo dos membros da igreja local. Santos porque santificados em Cristo Jesus (santificação posicional) e porque foram chamados para ser santos (santificação prática ou procedimento), conforme 1 Coríntios 1:12. 

Observe: Membros porque são santos e não santos porque são membros. Nem todo aquele que é arrolado como membro de uma igreja local deve ser considerado como tal; sê-lo-á se, na verdade, for uma nova criatura, isto é santo em Cristo Jesus e procurando viver uma vida santa.

2. A palavra “bispos”, na expressão sob exame, está no plural.

Claro fica que o governo da igreja deve caber a um grupo de irmãos e não a um, individualmente, já que a expressão “bispos” refere-se àqueles aos quais incumbe o governo da igreja local. Mais adiante vamos examinar mais profundamente esse aspecto.

A expressão “diácono” usada por Paulo, transliterada para o português diretamente do grego, refere-se ao grupo de irmãos na igreja local que serve na mesma. A palavra significa “servo”. O serviço do diácono pode ser “ministério da palavra” no exercício de dons espirituais, ou outro tipo de serviço de caráter não espiritual, mas necessário na vida da igreja local.

3. A Palavra de Deus não contempla a vulgar distinção entre “leigos” e “clérigos”.

Os clérigos são os que se INTITULAM “pastores”, e que são ordenados como tais, muitas vezes não dotados espiritualmente. São tidos como autoridades eclesiásticas, investidas de prerrogativas especiais ligadas à exclusividade de ofícios.

Antes de exercerem seus ofícios eclesiásticos, conseguem ser contratados, com remuneração regular pré-estabelecida e outros direitos e vantagens estipulados na legislação trabalhista, como resultado de gestões político-religiosas. Há os que obtêm essa investidura por vinculação hereditária ou influência de famílias importantes no cenário da igreja. Outros chegam ao usufruto desse mesmo posicionamento no contexto da igreja, sustentados pelo destaque da sua projeção social, intelectual ou financeira. Valendo-se da sua influente ascendência e do seu poder econômico, conduzem o rebanho, ardilosamente, a decisões que satisfaçam os seus interesses escusos de domínio do rebanho, impondo-lhes suas esdrúxulas ideias não bíblicas, e ao exercício da sua vaidade pessoal de falsa liderança. 

É claro que há os que chegam a essa posição eclesiástica, imbuídos de boa fé e oferecendo atuação consagrada e sincera. Isso se deve ao fato de sua longa vinculação a estruturas denominacionais, que adotam padrões não bíblicos, e ao pouco conhecimento que têm dos princípios neotestamentários, que fundamentam e informam a vida da igreja local, pois são formados academicamente de forma equivocada e tradicional pelas mesmas denominações a que estão ligados. Lamentavelmente deixam de ser instrumentos de bênçãos para o rebanho. A adoção da prática de ordenação de “pastores” como clérigos distintos dos chamados “leigos”, que não podem usufruir dos poderes e das práticas de ofícios pertinentes aos primeiros mencionados (clérigos), vai ao encontro do procedimento não bíblico, erradamente adotado na igreja local.

4.     A igreja não é uma organização humana, mas um organismo espiritual (1 Coríntios 12:12-31), cuja existência resulta da vontade Soberana de Deus, para a consecução do programa divino, utilizando os filhos de Deus (os verdadeiramente nascidos de novo), com vida santificada e atuados plenamente pelo Espírito Santo.

Assim, ela pressupõe, existe e se mantém, unicamente, em razão do seguinte: 

  1. Do Senhor Jesus – Cabeça da Igreja, que é o Seu corpo – Colossenses 1:18; Efésios 1:22-23;
  2. Do Espírito Santo – Vigário de Cristo aqui no mundo – João 14:16-17,26; 16:7;
  3. Da Palavra de Deus – Fundamento doutrinário, da existência e da vida da Igreja, onde encontramos o repertório das ordenanças do Senhor a Seu respeito.

 5.    Deus é um Deus de ordem.

Quando Deus criou todas as coisas, fê-lo em sequência ordenatória extraordinária como se pode constatar do relato bíblico (Gênesis 1). Foi declarado após cada lance criador: “E viu Deus que isso era bom”.    

A igreja, como já vimos, é de Deus. Aliás, é uma das expressões usadas no Novo Testamento para identificar a igreja local que estava em Corinto (1 Coríntio 1:2... “igreja de Deus”). Deve, pois, a igreja submeter-se a uma vida ordenada, conforme os ditames do Senhor.

Não haverá ordem sem governo. O Senhor estabeleceu na Sua Palavra o tipo de governo ordenado, que a igreja deve adotar para a correta realização do seu propósito divino.

Mesmo antes de o Novo Testamento ser escrito, a autoridade apostólica, sob a inspiração do Espírito Santo, definiu pela orientação verbal transmitida às várias igrejas esse tipo de governo.

Assim, concluímos pelo ensino apostólico e pelo estipulado nas Escrituras, os seguintes:

a)     É imprescindível que a igreja de Deus tenha governo.

Vale bem como ilustração dessa verdade o relato histórico de Juízes 21:25... “Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais certo”. Sem governo não há ordem; cada um faz o que bem lhe parece. Ao Senhor interessa que todos façam o que bem Lhe parece.É através do governo, consoante o Seu modelo, que Ele mesmo estabelece, que se pode alcançar esse salutar objetivo.Encontramos no livro de Atos inúmeras menções à existência do governo da igreja primitiva (Atos 11:30, primeira menção; 14:23; 15:2; etc.).

b)    O modelo do governo.

O governo não deve ser aquele que imaginamos ser o mais adequado, segundo os nossos próprios critérios e interesses, mas deve submeter-se, rigorosamente, ao modelo do Senhor, ou seja, conforme o modelo neotestamentário.

O que Deus faz tem valor eterno e é imutável. O decurso do tempo e as diferentes circunstâncias dos lugares, não servem para motivar alterações daquilo que Deus estabelece para valer em todo o tempo e em qualquer lugar. A sublime e importante missão de governar a igreja local foi entregue pelo Senhor aos “bispos” ou “anciãos”, também chamados “presbíteros”. Voltaremos ao exame dessas expressões mais adiante.

c)     O governo dos judeus nas sinagogas.

É interessante notar que o tipo de governo adotado pelo Senhor para a igreja local tem semelhança com o tipo de governo adotado pelo judeu, através dos tempos passados, mais particularmente nas sinagogas. A figura do “ancião” desponta aí na alta investidura governista, como vemos na menção feita por Pedro em seu discurso em Atos 4:8... “Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: autoridades do povo e anciãos”.  A respeito veja mais Êxodo 12:21; 17:5; 24:1.

De todo o exposto, até aqui, constata-se a importância do governo da igreja local.