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Desenvolvendo uma vida piedosa - 2

Provérbios 16:1-9

CRITÉRIOS VÁLIDOS PARA UMA VIDA PIEDOSA BEM DESENVOLVIDA

1. A ORIENTAÇÃO DEVE SER DO SENHOR (vs. 1 e 9)

O contraste entre o homem e Deus está bem saliente no versículo 1. A expressão “planos”, ou “preparação”, sugere “colocar as coisas em ordem” (ex: dispor as tropas para a batalha – Gn. 14:8; ou colocar a lenha para fazer uma fogueira – Gn. 22:9). O sentido do provérbio é, provavelmente, semelhante ao do versículo 9, ressaltando-se, porém, o fato de que o homem, a despeito da sua liberdade para planejar, acaba fazendo nada mais do que contribuir para o plano de Deus (1 Reis 12:24... “Eu é que fiz isto”).

Os planos dos homens não são bons, de sorte que a palavra “certa”, na segunda parte do versículo, evidencia um contraste com a primeira. O homem pode fazer os planos, mas a execução na vida piedosa do cristão deve necessariamente cumprir os desígnios do Senhor. O texto destaca um detalhe interessante quando explicita que “a resposta certa dos lábios vem do Senhor”. A proclamação dos planos a serem adotados, e a maneira como devem ser executados, na vida do cristão, são verbalmente anunciados pela boca humana. Evidencia-se pelo falar do homem.

Mas, na verdade, a resposta certa vem do Senhor. É só Deus quem pode dar a capacidade de articular e realizar aqueles planos. A vida piedosa se manifesta na realização da plena orientação de Deus no viver do cristão. Cabe a este proclamar, com a convicção do seu coração e a força da sua voz, a resposta certa do Senhor. O resultado final do que planejamos está nas mãos de Deus. Ao fazermos a vontade de Deus deve haver uma compatibilidade entre os nossos esforços e a Sua direção. Ele quer que usemos a nossa mente, busquemos o conselho dos outros e façamos planos.

Não obstante os resultados estarem sob o Seu controle, conceber planos nos ajuda a agir de acordo com a vontade de Deus. Como vivemos para Ele, peçamos a sua orientação à medida que planejamos e trabalhemos em nossos projetos confiando nEle. No versículo 1, o escritor sagrado enfatiza a importância da resposta do Senhor. Somente quando o Senhor fala, a palavra é certa. No versículo 9 o escritor sagrado enfatiza a importância da direção do Senhor, dirigindo-lhe os passos. A palavra e a direção do Senhor compõem o primeiro critério válido para uma vida piedosa bem desenvolvida, ou seja, a Sua orientação na realização dos planos de vida do cristão.

2. A AVALIAÇÃO É DO SENHOR (v. 2)

Uma versão bem explicativa desse texto é: “ao homem parece-lhe bem tudo o que faz, mas o Senhor é quem julga as intenções”. Veja, também, 21:2, que é quase idêntico. Em 12:15 temos um texto paralelo que ajuda o entendimento do seu conteúdo. A expressão “espírito” significa “caráter” ou “disposição moral”. As pessoas podem racionalizar qualquer coisa se não tiverem um padrão para julgar entre o certo e o errado. Sempre podemos provar que estamos certos. Antes de colocar qualquer plano em ação, pergunte a si mesmo: “Este plano está em harmonia com a verdade de Deus? Foi concebido sob as condições reais da vida? Minha atitude é agradável a Deus?”.

Quase sempre deixamos de ver os nossos próprios defeitos e a nossa pobreza espiritual. Se formos honestos ao nos aproximarmos de Deus em oração, Ele nos revelará a verdadeira condição do nosso coração, de modo que sejamos realmente limpos e obedeçamos melhor ao Espírito Santo (Lucas 16:15; 1 Coríntios 4:4-5; Hebreus 4:12). Lembremo-nos sempre de que o Senhor nos pesará na balança, pois a Ele compete, afinal, a avaliação dos nossos atos e atitudes. Ajamos em tudo com essa perspectiva, para evidenciarmos um bom exercício da piedade em nossa vida cristã.

3. A SEGURANÇA DO BOM RESULTADO ESTÁ NAS MÃOS DO SENHOR (v. 3)

Em outras palavras o texto assim pode ser explicitado: “Confia os teus assuntos ao Senhor e realizarás os teus projetos”. A expressão “confia” tem o sentido literal de “rodar sobre”. Role os seus fardos sobre o Senhor, pois embora possam sem motivo nos causar ansiedade, nunca serão grandes demais para Ele. Isso faz parte da verdadeira sabedoria (Salmo 25:2; 32:10; 37:5; Provérbios 3:5; 28:25,26). Nossas atividades e planos (“desígnios”) não serão menos nossos por serem dEle. Só que assim ficam sendo menos pesados e mais bem feitos.

O cristão não deve empreender nada de modo presunçoso, mas em todas as coisas buscar a vontade do Senhor (Tiago 4:14-16). Se nossas obras e motivações forem justas, poderemos confiá-las ao Senhor e ter a certeza de que Ele as consolidará e nos abençoará.

Existem muitas formas de não submetermos ao Senhor aquilo que fazemos. Algumas pessoas confiam apenas superficialmente. Dizem que seus projetos são feitos para o Senhor, mas na verdade trabalham para si mesmos. Outros confiam temporariamente os seus interesses a Deus, mas reivindicam o controle no momento em que as coisas deixam de fluir da maneira que esperam.

Há ainda outros que realizam uma tarefa completa para o Senhor, mas não empenham esforço pessoal e se perguntam por que não têm sucesso. Devemos manter o equilíbrio. Confiar em Deus, porque tudo depende dEle e, ao mesmo tempo, fazer a nossa parte no trabalho. Pensando em algo específico que estejamos realizando atualmente, perguntemos a nós próprios: “Confiamos no Senhor”? Confiar ao Senhor as nossas obras faz parte da verdadeira sabedoria. Consagrando a Deus tudo o que fazemos, exercitaremos com êxito a piedade, usufruindo da segurança do bom resultado. Os planos serão bem sucedidos e os alvos serão alcançados.

4. O SENHOR FAZ TUDO COM UM PROPÓSITO (v. 4)

A expressão “para fins determinados” significa literalmente “tudo para a sua resposta”, que pode ser “para o seu propósito”. O homem mau está destinado ao castigo. A palavra “calamidade”, literalmente “mal”, pode significar aquilo que os maus sofrem ou aquilo que causam (Jó 38:23; Isaías 54:16). O sentido geral é que, em última análise, não há nada sem solução no mundo de Deus; tudo será devidamente utilizado, e se enquadrará no seu destino certo.

Isto não significa que Deus é autor do mal (Tiago 1:13,17). Deus não faz nem produz perversos para “maior glória da sua ira”, para depois condená-los, como alguns ensinam. Em Eclesiastes 7:29 lemos: “Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias”. De maneira alguma o mal se origina de Deus, como também a malvadeza do homem, ele incorreu a isso por sua livre vontade, o perverso cai debaixo da ira de Deus por sua própria culpa.

Deus é soberano a cada vida e em toda a história (Eclesiastes 7:14; Romanos 8:28). Deus demonstra o Seu poder até mesmo por meio de homens maus (Êxodo 9:18), porém todo o mal será castigado (Ezequiel 38:22-23; Romanos 2:5-11). Deus é infinito, mas nós, finitos. Não importa a capacidade de nosso intelecto, nunca poderemos entender Deus completamente. Mas, pela fé, podemos aceitar que Ele é o Todo-Poderoso, extremamente amoroso e perfeitamente bom.

Devemos crer que Deus não é a causa do mal e confiar que não existe falha em Seu julgamento. O mal é uma condição temporária no universo. Um dia Deus o destruirá. Desenvolvamos a piedade em nossa vida cristã com a perspectiva de um Deus Soberano, que tudo faz com propósito.

autor: Jayro Gonçalves.