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Igreja Modelo Em Tessalônica - 3

1 Tessalonicenses 1:1-10

III. FIRMEZA DA SUA ESPERANÇA

Diz ele: “da firmeza da vossa esperança” (v. 2). Volta a mencionar uma das três virtudes cristãs (1 Coríntios 13:13).

1. A ESPERANÇA

Um ditado popular, muito conhecido, diz: “a esperança é a última que morre”. Reflete ele o sentimento generalizado das pessoas sobre a expectativa de poderem chegar onde pretendem ou alcançar o que desejam, apesar das sucessivas frustrações e das respectivas tentativas de conquista. Mas note que ele põe um limite natural à esperança, que é o do término da vida física humana. O dicionário informa (Caldas Aulete) que “esperança” é a expectativa de um bem, cuja posse se reputa provável; é a tendência de espírito para considerar como provável a realização de um bem que se deseja. O verbo “esperar”, no mesmo informe, é ter como provável ou certo o obter alguma coisa, contar com a realização de coisa desejada, provável ou prometida.

Desses conceitos concluímos que a “esperança”, do ponto de vista humano: a) é sempre uma expectativa de se possuir ou realizar algo; b) carece de segurança ou certeza da realização; c) pressupõe a frustração; d) pode sempre ser renovada; e) limita-se ao termo da existência física do esperançoso. Essa é uma concepção meramente humana.

Do ponto de vista bíblico as coisas funcionam de forma diferente. Os salmistas, inúmeras vezes, se utilizaram adequadamente dessa expressão, ou de outras dela derivadas, para cantar e exaltar a bênção que a “esperança” representa no contexto mais aflitivo e opressor da vida, sendo uma concessão bondosa do Senhor aos que o buscam com sinceridade e verdade (Salmos 25:2; 27:14; 33:20; 37:34; 38:15; 40:1; 42:5,11; 52:9; 59:9; 62:1,5; 69:6; 119:74,81,82, 147,166).

São muitas as passagens bíblicas que a mencionam, como a solução divina, que extrapola as possibilidades humanas, nas expectativas das suas realizações e das suas conquistas, as quais, inclusive, ultrapassam o limite da existência física e penetram na “eternidade”!

Vejamos algumas características bíblicas da “esperança”:

a) A nossa ESPERANÇA é uma concessão da GRAÇA de Deus, à vista da situação do homem, em razão da sua pecaminosidade: “espera pelo Senhor, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo Senhor” (Salmo 27:14); “tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus” (1 Pedro 1:21); “porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis” (1 Timóteo 4:10).

Que contraste entre a “esperança” humana, que se sustenta na precariedade dos recursos do homem e nas frágeis concepções da sabedoria humana, com a ESPERANÇA que nos sustenta espiritualmente, que vem de Deus, e está eternamente em Deus, como manifestação extraordinária da Sua GRAÇA, em termos de imensa misericórdia, como afirma o profeta Jeremias: “as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã” (Lamentações 3:22-23). A nossa ESPERANÇA vem de Deus e só se encontra em Deus;

b) A nossa ESPERANÇA é VIVA: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma VIVA ESPERANÇA, mediante a ressurreição de Jesus Cristo” (1 Pedro 1:3). Contrasta-se com a esperança humana pelo fato de que esta se limita à realidade existencial física do ser humano. Rende-se, melancolicamente, ao fato inevitável da experiência mortal. Morre com o homem! Ao contrário, a nossa ESPERANÇA jamais perece, por que é VIVA, ultrapassando a dramática consequência do pecado, que é a morte. Como afirma Paulo: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1 Coríntios 15:55);

c) A nossa ESPERANÇA é ETERNA. Paulo afirma em Tito 1:2... “na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos”. A eternidade dessa Esperança tem a ver com a própria realidade Divina (Deus é Eterno) e com os Seus propósitos, que sempre são eternos;

d) A nossa ESPERANÇA é BENDITA. Foi assim que Paulo a chamou em Tito 2:13... “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus”. Esse singular aspecto tem a ver com a Glória de Deus, porque quando ela se manifesta em nós Deus é glorificado, seja na presente dispensação, seja na futura. Por isso, Paulo relaciona esse aspecto com a manifestação da glória de Deus na Sua vinda para nós, a qual é chamada de “bendita esperança”;

e) A nossa ESPERANÇA resulta da NOVA VIDA em Cristo. O apóstolo Pedro afirma em 1 Pedro 1:3... “nos regenerou para uma viva esperança”. Paulo ensina em Efésios 2... “nos deu vida, estando vós mortos em vossos delitos e pecados” (v. 1); “naquele tempo, estáveis sem Cristo... não tendo esperança e sem Deus no mundo” (v. 12). É pela regeneração, necessidade essencial do ser humano (veja João 3:3-8), que o homem adquire tal ESPERANÇA, com a apropriação dos valores espirituais que dela decorrem;

f) A nossa ESPERANÇA é a garantia do usufruto das bênçãos de Deus, no presente e no futuro. Várias são as menções de bênçãos garantidas aos verdadeiros cristãos: “a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segunda a esperança da vida eterna” (Tito 3:7); “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é. E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (1 João 3:2,3); “esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2 Pedro 3:12,13). Os privilégios nossos decorrentes dessa ESPERANÇA são inauditos e incomparáveis! Não se trata de uma mera expectativa, de uma experiência eventual, dependendo de circunstâncias supervenientes fora do nosso controle, mas de algo garantido pela Palavra do Senhor.

g) A nossa ESPERANÇA é o Senhor Jesus Cristo. Fora dEle não há ESPERANÇA alguma para a criatura humana. Paulo inicia a sua primeira epístola a Timóteo afirmando... “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, pelo mandamento de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, NOSSA ESPERANÇA” (1 Timóteo 1:1). Ensina, ainda, Paulo, escrevendo aos Colossenses: “aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória” (Colossenses 1:27). A nossa ESPERANÇA está fundamentada na Pessoa, na Obra e na Palavra do Senhor Jesus Cristo.

h) A nossa ESPERANÇA não garante que vamos alcançar ou possuir tudo o que desejamos e julguemos ser o melhor para nós, nem tampouco fazer o que entendemos ser oportuno. O controle de nossa vida deve ser sempre do Senhor e não nosso. Devemos nos submeter à Sua Soberania para experimentar, no tempo certo, os resultados benéficos do exercício da nossa ESPERANÇA. Devemos pôr em prática constante o princípio da correta submissão ao Senhorio de Cristo: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm... O corpo é para o Senhor” (1 Coríntios 6:12-13).

Por isso, o exercício correto da ESPERANÇA tem muito a ver com o exercício da “paciência” e com a nossa convicção de que Deus sabe o que precisamos e quando precisamos.

2. A FIRMEZA DA ESPERANÇA

Ao referir-se à Igreja em Tessalônica como “modelo” Paulo a qualifica pela firmeza da sua ESPERANÇA: “da firmeza da vossa esperança” (v. 2). ESPERANÇA que não é firme, deixa de ser esperança adequada aos propósitos de Deus para a nossa vida cristã.

Vejamos “quatro” aspectos que a caracterizam:

a) Sendo firme, a ESPERANÇA não se abala mesmo que todas as circunstâncias da vida possam mudar. É importante manter FIRMEZA em nossa ESPERANÇA, para que ela não se abale, apesar de tantas coisas que possam surgir no curso da nossa experiência de vida, algumas demasiadamente penosas. Paulo é um exemplo digno desse tipo de comportamento quando afirma: “aprendi a viver contente em qualquer situação.Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:11-13). Veja, também, o que o apóstolo afirma em 2 Coríntios 4:7-10;

b) A FIRMEZA da nossa ESPERANÇA é que motiva todas as realizações da nossa experiência cristã na soberana vontade do Senhor. Essa FIRMEZA é que transforma as expectativas que acalentamos nos resultados esperados para a glória do Senhor. Faz com que os “alvos” sejam alcançados. Gratifica amplamente os esforços feitos. Paulo exorta: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1 Coríntios 15:18).

Os grandes servos do Senhor não foram os que tiveram grandes projetos a realizar ou excelentes “alvos” a alcançar, mas os que, com paciência, souberam esperar ver tudo conseguido, exatamente no tempo de Deus. É a lição de Paulo: “prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:14);

c) A FIRMEZA da ESPERANÇA é que estabelece em nós a convicção dos fatos ou das realizações esperadas, ainda que eles não existam. É, pois, a FIRMEZA da Esperança que corporifica e torna real em nós a Fé, essencial às experiências da vida, principalmente as de conteúdo espiritual. Lemos em Hebreus 11:1...“Ora, a fé é a certeza (convicção) de coisas que se esperam”;

d) A FIRMEZA da ESPERANÇA faz-nos ver as realidades futuras como se fossem realidades presentes. Paulo, em Romanos 8:24-25, afirma: “Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos”. É o privilégio dos filhos de Deus ter essa capacidade espiritual da visão dos fatos e realizações futuras, mesmo nos anais da eternidade, como se presentes fossem!

CONCLUSÃO

Constata-se nos dias que correm, indubitavelmente, um panorama de lamentável carência de autênticos valores espirituais, na postura das igrejas locais que compõem o chamado “mundo” evangélico atual. Creio que não são muitas que poderiam hoje merecer, como a igreja em Tessalônica, a nobre qualificação de “modelo”, na competente avaliação do apóstolo Paulo, considerando os três valores espirituais básicos que constatou e destacou na postura dessa notável igreja local, ao avaliá-la: A OPEROSIDADE DA SUA FÉ; A ABNEGAÇÃO DO SEU AMOR; A FIRMEZA DA SUA ESPERANÇA.

autor: Jayro Gonçalves.