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O governo da igreja local (12)

Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual Ele comprou com o seu próprio sangue”

IV. QUALIFICAÇÕES DOS PRESBÍTEROS

14 – Continuamos considerando as qualificações dos presbíteros.

O apóstolo Paulo afirma, em 1 Timóteo 3:6... “Não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo”. O entusiasmo dos que começam em algum empreendimento sempre pode ser uma traiçoeira atitude em detrimento dos objetivos desejados. Neófito é o que se inicia em alguma coisa. A ele falta a necessária experiência e o indispensável conhecimento da Palavra de Deus, somente adquirido depois de algum tempo de carreira cristã.

Nos embates da vida cristã, que não é fácil, mas submetida a muitas provas, o cristão vai adquirindo a robustez necessária para encarar situações diversas e encontrar as soluções bíblicas adequadas. Entrando pela porta estreita e seguindo pelo caminho apertado que conduz à vida, suportando as aflições que no mundo são inevitáveis, o cristão se habilita, no tempo, a responsabilidades maiores que o Senhor lhe quer entregar.

O episcopado é sem duvida uma aspiração de alta responsabilidade que não cabe ao neófito. Quem mais deseja que o neófito assuma a responsabilidade de liderança é Satanás, porque sabe ele muito bem que isso trará problemas à vida da igreja, prejudicando o seu próprio desenvolvimento.

Por isso mesmo Paulo adverte: “para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo”. A soberba é pecado bem realçado na Palavra de Deus. Significa sobrançaria, altivez, orgulho, arrogância, presunção. É anotada como não qualificação para o episcopado por Paulo em Tito 1:7, através da expressão “não arrogante”. Isso será objeto de consideração, como tal, mais adiante.

Aqui cabe ressaltar que o neófito pode ser levado a esse detestável pecado. Foi o pecado de Satanás (Ezequiel 28:17). Quis ele igualar-se a Deus, elevou o seu coração orgulhosamente, mas o Senhor o lançou para baixo. O que mais Satanás deseja é ver o homem entrando na dele!

A tentação a que submeteu Eva a estimulou à soberba e, através dela, Eva e Adão desobedeceram ao Senhor. Por isso Paulo fala que o ensoberbecimento faz incorrer na condenação de Satanás, isto é, ser lançado para baixo.

A tendência do neófito em orgulhar-se é acentuada por ressaltar a necessária experiência para encarar a responsabilidade com humildade. Devemos orar pelos que têm liderança para que não incorram nesse pecado grave.

Já analisamos, ainda que de ligeiro, todas as qualificações para o exercício do episcopado – honrosa aspiração do servo do Senhor – que o apóstolo Paulo insere em 1 Timóteo 3:1-7. Algumas delas se repetem na epístola de Paulo a Tito e, por isso, já as analisamos à luz do texto em 1 Timóteo. Outras há, ainda, em Tito, não referidas explicitamente na carta a Timóteo, as quais devemos nos reportar.

15 – Afirma Paulo em Tito 1:7 que é indispensável que o bispo seja “não arrogante”.

Arrogante é o que revela arrogância, isto é, altivez, orgulho, insolência. Já se vê que é a arrogância uma característica negativa de caráter não consentânea com aquele que pretende o episcopado. Falamos algo em comentário anterior sobre o orgulho, pecado sobremodo danoso à vida espiritual, mas muitas vezes instalado no comportamento de indivíduos grandemente envolvidos na vida religiosa. É o pecado que Satanás mais estimula a prática do cristão.

O arrogante tudo faz colocando-se no centro, procurando destacar a importância e até a imprescindibilidade da sua pessoa, da sua capacidade e de sua atuação, para fazer crer que sem ele nada se pode fazer. Por isso se diz que o arrogante é altivo, egocêntrico, tudo deve girar em torno dele e em função dele. É a negação da humildade, característica essencial no cristianismo autêntico.

Devemos nos lembrar do ensino de Jesus Cristo: “Sem mim nada podeis fazer” (João 15:15). A prática da arrogância leva à insolência, e esta, já definindo o campo do comportamento inconveniente, ao desaforo. A insolência usa linguagem grosseira e até palavras injuriosas. No grau mais acentuado, se revela ser indivíduo atrevido e malcriado. Aí está o tracejar de um comportamento que nada tem que possa qualificar o excelente desejo de exercício do episcopado.

Lamentavelmente muitos que têm chegado a essa honrosa investidura espiritual se tem deixado levar pelo caminho pecaminoso da arrogância, acabando por se definirem déspotas, pretensiosos e autossuficientes, que só perturbam o bem-estar do rebanho do Senhor.

Eis a razão porque Paulo alinha essa indispensável qualidade entre as demais, ao tratar do episcopado. Oremos para que o Senhor nos livre dessa atitude tão desastrosa, fazendo-nos perceber a importância da humildade e da total dependência do Senhor!

Continuaremos na próxima crônica.

autor: Jayro Gonçalves.