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O governo da igreja local (6)

 

“Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual Ele comprou com o seu próprio sangue”

 

IV.  QUALIFICAÇÕES DOS PRESBÍTEROS

Como já dissemos em comentário anterior, o essencial para o reconhecimento dos presbíteros é a sua constituição pelo Espírito Santo, sendo certo que esta só acontece face à existência das qualificações manifestas na pessoa do constituído.

As qualificações necessárias estão claramente estabelecidas na Palavra de Deus, para que não possa haver dúvidas a respeito.

É bom que se diga que o reconhecimento do presbítero não está ligado a dotes de ordem pessoal, tais como:

  • Habilidades naturais
  • Argúcia nos negócios
  • Prosperidade financeira
  • Posição social
  • Rótulos de qualificação profissional ou honoríficos
  • Linhagem familiar etc.

Todas essas prerrogativas não qualificam ou desqualificam o irmão que vai ser reconhecido como presbítero. O reconhecimento dá-se pela existência de qualificações espirituais, estas corroboradas pelo comportamento. Aquele que vai ser reconhecido como presbítero deve ser homem de fé, de oração, de experiência e capacidade espirituais, e de reconhecido bom testemunho.

Há dois trechos básicos nas Escrituras onde as qualificações necessárias são indicadas: 1 Timóteo 3:1-7 e Tito 1:5-9. Algumas são mais personalísticas e envolvem aspectos de caráter. Outras são mais ligadas ao comportamento social. Há outras, ainda, que revelam capacidade espiritual.

Mas a primeira característica que o apóstolo Paulo aponta é a “voluntariedade” evidenciada pela “aspiração ao episcopado como excelente obra” (não cargo funcional ou posição), conforme afirmado em 1 Timóteo 3:1.

Esse mesmo aspecto é enfatizado por Pedro: “Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas ‘espontaneamente’, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade(1 Pedro 5:2). Deus sempre desejou a “espontaneidade” no serviço que Lhe prestamos.

Seguindo o exame das qualificações dos presbíteros vamos partir agora para o texto em 1 Timóteo 3:2-7:

  1. Diz Paulo que o presbítero (bispo) deve ser “irrepreensível”. Não está Paulo afirmando que o presbítero deve ser “impecável”, pois essa condição inexiste no ser humano. Mas o padrão que a Palavra de Deus apresenta nesse item é bem alto. Essa qualificação está ligada ao caráter do presbítero. A “irrepreensibilidade” significa que a reputação deve estar acima de qualquer crítica. Isto implica no cuidado especial de se ter um comportamento que não possa ser atacado por terceiros. Na verdade, o rigor da exigência não é descabido, por isso que o presbítero é despenseiro de Deus (Tito 1:7). Ora, “despenseiro de Deus” é responsabilidade de alto nível.
  2. A seguinte qualificação que Paulo apresenta é: “esposo de uma só mulher”. Em Tito 1:7 Paulo fala “marido de uma só mulher”. Essa exigência não significa que o presbítero necessariamente tenha que ser casado, mas, em sendo, que tenha somente uma mulher. Há regiões onde a poligamia é permitida legalmente. Esses costumes, entretanto, esbarram com a consignação escriturística, na hipótese de homem casado que aspira ao episcopado. Por outro lado, é bom que se diga que monogamia legal não basta. Impõe-se, também, a pureza na relação matrimonial. A relação extraconjugal é atitude impeditiva à aspiração e ao exercício do episcopado. Acima de tudo o exemplo é a melhor forma de orientar o rebanho.
  3. Acrescenta Paulo, a seguir: “temperante”. Onde há tempero o paladar é bom. O presbítero não deve ser dado a excessos. A calma e o equilíbrio nas atitudes é a evidência do “temperante”. Temperante é o que põe o tempero; para isso deve reprimir o excesso; deve saber usar bem o importante ingrediente da “harmonia”. Não acirrar os ânimos, nem estimular a discórdia.
  4. Fala, ainda, Paulo: “sóbrio”. A evidência notória da “sobriedade” é a “simplicidade”. A moderação nas atitudes e no comportamento em geral também define bem essa importante qualificação.
  5. Assevera ainda Paulo que o presbítero deve ser “modesto”. Não está, evidentemente, excluindo do episcopado os que tenham alto nível cultural, ou destacada situação pessoal em qualquer área. “Modéstia” não é sinônimo de pobreza. A qualificação aí estatuída por Paulo implica em ausência de vaidade; o que não é pretensioso como, infelizmente, os há no episcopado. Deve ser comedido e não exibicionista.

Continua na próxima crônica.

 

autor: Jayro Gonçalves.