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O governo da igreja local (9)

 “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual Ele comprou com o seu próprio sangue”

IV. QUALIFICAÇÕES DOS PRESBÍTEROS

Continuamos a considerar o ensino de Paulo sobre as qualificações dos presbíteros.

12. A qualificação seguinte que Paulo aponta em 1 Timóteo 3:3 é “não avarento”. Em Tito 1:7 Paulo se refere ao mesmo item, usando a expressão: “nem cobiçoso de torpe ganância”. A “avareza” é o apego demasiado e sórdido ao dinheiro: “mesquinhez”. A ganância legítima não é pecado, mas quando se torna “cobiça torpe”, desqualifica o cristão.

Claro que esse comportamento não é compatível com o exercício da liderança na Igreja de Deus. A preocupação financeira é uma das que mais aflige o homem. Ilustra bem esse fato o melancólico desfecho do encontro do moço rico com Jesus Cristo (Lucas 18:23). Diz o texto sagrado que o moço retirou-se triste porque “era riquíssimo”. O seu interesse pelas riquezas sobrepôs-se ao desafio do Senhor para se desfazer delas em ação filantrópica e desprendida.

Nas decisões do homem muito pesa o aspecto financeiro, mesmo quando a opção envolve consequência de caráter espiritual. A busca do dinheiro nos fascina e escurece a nossa visão, privando-nos das mais extraordinárias perspectivas de ordem espiritual. Quantos já têm se privado da maior das bênçãos que é a sua salvação pela fé em Cristo Jesus, deixando de se apropriar da maior das riquezas que ela representa, levados que são pela ganância temporal, preferindo os dividendos terrenos, que nada valem para o bem da alma, em lugar dos valores eternos que a Graça de Deus nos propicia.

Na parábola do rico insensato o Senhor Jesus patenteou essa realidade: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma e o que tens preparado para quem será?” (Lucas 12:20). E arrematou: “assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus” (v. 21). O Senhor Jesus recusou, na oportunidade, a condição de Juiz partidor de herança. Essa não era a Sua missão, mas a de nos conceder a possibilidade da riqueza imperecível e incomparável da vida eterna.

É lamentável que poucos percebam que a maior riqueza é Jesus Cristo, reconhecido como Salvador e Senhor de nossas vidas. Jesus Cristo recomendou que não devemos acumular tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões escavam e roubam, mas no céu, onde tal não acontece. E acrescentou: “onde está o teu tesouro aí também estará o teu coração” (Mateus 6:19-21).

O Senhor foi enfático a respeito quando nos ensinou: “Que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mateus 16:26). A ganância pelo dinheiro é o grande mal do mundo, pois leva os homens às praticas mais tresloucadas, que vão desde os desentendimentos pessoais e familiares até os terríveis conflitos entre os povos. Já afirmou o apóstolo Paulo: “o amor do dinheiro é a raiz de todos os males” (1 Timóteo 6:10).

Quando o cristão compreende que somos do Senhor, considera tudo que tem ou que possa alcançar, como do Senhor. Evidentemente há de procurar administrar bem o que não lhe pertence, mas que está sob o seu cuidado. Não somos donos de nada, mas administradores do que o Senhor coloca em nossas mãos. Por isso devemos considerar melhor como buscar e dispor dos bens temporais.

O mais importante é buscar o Reino de Deus e a Sua Justiça, em primeiro lugar (Mateus 6:33). No mister glorioso de participar com os nossos bens na obra do Senhor devemos seguir o exemplo dos irmãos da Macedônia, que primeiro se deram a si mesmos ao Senhor (1 Coríntios 8:8).

Continua na próxima crônica, com outra importante qualificação.

 

autor: Jayro Gonçalves.