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Passeando pelos cemitérios

Sobre mim pesa essa obrigação... ai de mim se não pregar o evangelho

1 Coríntios 9:16

Quando era jovem, formava com outros queridos companheiros um grupo que a cada ano, no histórico dia de Finados, íamos ao cemitério. Não se tratava de um costume de passeio macabro, íamos para visitar tumbas de parentes ou amigos, como milhares de pessoas fazem, para chorar pelos que passaram e deles se lembrar com saudades e homenageá-los. Íamos motivados pelo desejo de despertar corações desinformados, ainda vivos, quanto à Eternidade, levando-os a encontrar o Caminho do além abençoado.

Com grande entusiasmo nos valíamos da excelente oportunidade, andando pelas estreitas vielas entre os túmulos, a proclamar, não aos mortos, que já não podem ouvir, mas aos muitos tristes e desesperançados viandantes, a auspiciosa esperança das verdades evangélicas que nos garantem a absoluta certeza da ressurreição dos corpos para estarmos para sempre com o Senhor.

À época, muitas igrejas evangélicas se preocupavam em fazer isso. Eram numerosos os grupos de valorosos arautos do Senhor que passeavam pelos cemitérios movidos pelo amor das almas sem esperança quanto à Eternidade, que por eles circulavam naquele dia.

Estou convicto de que o Senhor honrou esse esforço evangelístico e muitos dos que foram passear apenas para lembrar e chorar os seus mortos voltaram do passeio com uma nova esperança e a firme convicção da sua Salvação Eterna.

A efeméride se repete neste mês de novembro. Fico a pensar por que não se passeia mais pelos cemitérios, como antes se fazia para proclamar a gloriosa mensagem Redentora às multidões que para lá se dirigem, derrotadas pela pecaminosidade e desesperançadas da Eternidade, a fim de que se mude esse cenário frustrante em triunfante atitude de fé no Senhor Jesus e na sua Obra Redentora, que garante a vida eterna!

Na verdade, o grande cemitério é o próprio mundo, onde os homens passeiam pelas estradas da vida, seguindo na sua trágica condição de pecadores perdidos em seus desvarios e notória incredulidade, alienados de Deus, mortos em seus delitos e pecados.

Quando Deus nos criou, colocou-nos no aprazível espaço do Éden. Nunca esteve na cogitação de Deus a existência de cemitérios, porque nos criou à sua imagem e semelhança, dotados de vida eterna. O homem não foi criado para morrer, mas para viver. Se o mundo é um grande cemitério, isso se deve à sua incredulidade, pecado que o levou à morte.

Como Deus não quer ver o homem passeando perdido pelo cemitério do mundo, rumo à perdição eterna, providenciou-lhe a Redenção através da missão fielmente cumprida pelo Seu Filho, o Senhor Jesus. O Senhor Jesus aceitou morrer por nós na cruz, onde pagou o preço do nosso pecado, passear pelo cemitério e ressuscitar vitoriosamente sobre a morte, para nos dar a garantia da nossa própria Ressurreição.

No tristonho cenário do cemitério de Betânia, onde há quatro dias o seu amigo Lázaro estava enterrado, disse o Senhor Jesus à Marta, chorosa irmã do morto: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?" (João 11:25-26). E logo após ressuscitou Lázaro (vs. 43 e 44). Aos discípulos afirmou: “porque Eu vivo, vós também vivereis” (João 14:19). Paulo confirma a preciosa verdade da Redenção: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Efésios 2:1). Moody afirmou que o Senhor interrompeu todos os enterros com os quais se encontrou.

Do ponto de vista de Deus, cemitérios são aberrações! Os que para lá são levados, para serem enterrados, em razão da sua morte física, mas que morreram acalentando a sua firme convicção de fé no Senhor Jesus e na Sua Obra Redentora, de lá sairão vitoriosamente sobre a morte, rompidas as tumbas que acolhem os seus restos mortais, com corpos incorruptíveis e gloriosos, para estarem para sempre com o Senhor. Então para eles não haverá mais cemitério. É o que ensina Paulo: “... num momento, num abrir e fechar dos olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Coríntios 15:52). Vejam 1 Tessalonicenses 4:13-18.

É tremenda a responsabilidade que carregamos! A nós, que usufruímos o privilégio da posse da vida eterna graciosamente obtida pela fé, impõe-se a obrigação inalienável da proclamação da auspiciosa notícia da Redenção às multidões que jazem na perdição eterna. Incumbe-nos passear por todos os cantos desse grande cemitério, que é o mundo perdido, para, a todos, testificarmos da preciosa verdade evangélica e a necessidade da fé que vem pela pregação da Palavra (Mateus 28:19-20; Marcos 16:15; Atos 1:8 e Romanos 10:17).

Seria muito bom que o fizéssemos, passeando pelos cemitérios que nestes dias se encherão de tristonhos e perdidos visitantes, sem qualquer esperança quanto à eternidade com Deus, para lhes testemunhar o Evangelho. Deve motivar-nos, também, fortemente, a visão melancólica das frias tumbas que se multiplicam nos cemitérios, onde restos mortais de milhões ali jazem sem mais nenhuma esperança.

Devemos ter presente que não podemos negligenciar a nossa responsabilidade de passear pelo cemitério do mundo, levando a mensagem da Redenção aos que andam perambulando nos caminhos da vida, no rumo da perdição eterna, a fim de que essa situação seja gloriosamente revertida e se tornem eles salvos pela Graça, vivendo na esperança da eternidade com Deus. Foi esse o sentimento que levou Paulo a declarar: “... sobre mim pesa essa obrigação... ai de mim se não pregar o evangelho!” (1 Coríntios 9:16).

Façamos coro com essas palavras do grande apóstolo do cristianismo e ajamos com pronta disposição e profundo amor pelas almas que passeiam pelo cemitério do mundo, a caminho da perdição eterna, pregando-lhes, com convicção, o Evangelho Redentor.

autor: Jayro Gonçalves.