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Relacionamentos pessoais entre os cristãos

1 Coríntios 16:10-12 e 15-19

 

Nesta parte final desta epístola Paulo deixa ensinamentos que ajudam a exercer a mordomia do relacionamento pessoal. Ele menciona vários cooperadores e companheiros, oferecendo-nos úteis lições sobre o comportamento cristão, que nos servem como preciosos subsídios para o exercício do correto relacionamento pessoal com os nossos irmãos em Cristo. Vejamos: 

1. Timóteo (vs. 10-11) – Timóteo e Tito foram dois colaboradores de Paulo em missões especiais, em lugares difíceis de trabalhar. Timóteo foi criado em um lar piedoso (2 Timóteo 1:5; 3:14), tendo sido conduzido a Cristo por Paulo, que costumava chamar-lhe de “seu filho na fé” (1 Timóteo 1:2).   Ele ligou-se a Paulo, como seu assistente, quando João Marcos abandonou a Paulo voltando para Jerusalém (Atos 16:1-5). Foi um excelente discípulo, evidenciando grande progresso, tanto na sua vida como em seu ministério (Filipenses 2:20-22). Nas impossibilidades de Paulo ele assumiu a liderança da igreja em Éfeso, local difícil para se ministrar. Não seria fácil alguém ter que substituir o grande apóstolo. Chegou a pretender deixar a cidade, mas foi dissuadido a fazê-lo pelo próprio Paulo (1 Timóteo 1:3). Da recomendação que Paulo faz a respeito de Timóteo, nos versículos 10-11, conclui-se que o jovem ministro tinha problemas físicos e emocionais (1 Timóteo 5:23; 2 Timóteo 1:4). Temos aí preciosa lição que nos ensina a encorajar os que servem ao Senhor, apesar de suas deficiências pessoais! Timóteo precisava de todo o encorajamento que fosse possível.  O importante é que ele estava realizando a obra de Deus e trabalhando em conjunto com o grande servo de Deus, Paulo. A igreja não deve esperar que todo o servo de Deus seja um apóstolo Paulo. Os jovens servos, ao se iniciarem na obra, têm um grande potencial e cabe à igreja incentivá-los: “Ninguém despreze a tua mocidade” (2 Timóteo 4:12). A expressão “despreze”, no texto sob estudo, como em 2 Timóteo 4:12, tem o sentido de “pensar para baixo”, isto é, pensar negativamente a respeito de uma pessoa, reduzindo-a a nada ou anulando-a totalmente, atitude que não é adotada repentinamente, mas é consciente.

 2. Apolo (v. 12) – Apolo era um judeu eloquente, que foi levado à compreensão mais profunda do Evangelho através da instrumentalidade de Priscila e Áquila (Atos 18:24-28). Ministrou com grande poder e eloquência em Corinto conseguindo, de uma parte da igreja, grande apreço e prestígio pessoais (1 Coríntio 1:12; 3:4-8). Tal situação criou problemas de divisão na igreja, sem que ele, pessoalmente, tivesse pretendido isso, pois a sua preocupação, realmente, era pregar o Evangelho. Infelizmente, isso ocorre frequentemente na igreja, e deve, por todos os modos, ser evitado que aconteça, quer por parte dos líderes, como por parte dos membros da igreja. Por tudo isso, Paulo insistiu para que Apolo voltasse a Corinto para continuar o seu profícuo ministério, o que demonstra que Paulo não alimentava qualquer inveja, nem com ele queria competir no usufruto de popularidade pessoal. Lição preciosa para os líderes de nossas igrejas! Apolo sentiu, pessoalmente, que não deveria voltar a Corinto, na oportunidade sugerida por Paulo e este concordou, plenamente, com a sua decisão. Que bela lição de harmonia os dois líderes nos deixam aí! Que seja seguida, para o bem do trabalho do Senhor. 

3. Estéfanas e sua casa (vs. 15-16) – Paulo afirma que “a casa de Estéfanas é as primícias da Acaia”. Paulo os havia batizado (1 Coríntios 1:16). Tornaram-se importantes líderes da igreja. Concluímos pelo que Paulo acrescentou a respeito deles: “se consagraram ao serviço dos santos”.  A expressão “se consagraram” tem, no original, o sentido de “se apontaram”.  Isso não significa que eles se impuseram para exigir liderança na igreja, mas esta foi reconhecida pela sua dedicação inquestionável, suprindo necessidades que enxergavam no meio do povo de Deus. A expressão mencionada era empregada a certas pessoas que se dedicavam à ocupação de servir o público. Tais irmãos “se consagraram ao serviço dos santos” sem esperar que fossem convidados a liderar a igreja. Foram auxiliares de Paulo, trabalhando até à exaustão física, servindo o Senhor, com fidelidade, nessa importante área. Temos aí um belo exemplo de família cristã serviçal.  Como é bom quando a família inteira serve ao Senhor, com fidelidade, no contexto da igreja, tendo a correta perspectiva das necessidades da mesma, e entregando-se, de corpo e alma, às suas soluções, sem esperar qualquer recompensa ou reconhecimento pessoal. Paulo faz, no versículo 16, oportuna recomendação à igreja em relação aos que agem dessa maneira: “que também vos sujeiteis a esses tais, como também a todo aquele que é cooperador e obreiro”. Paulo encorajou a igreja a honrar essa família muito especial e a se submeterem à sua liderança espiritual.  É certo honrar os cristãos fiéis, para que Deus receba toda a glória através dessa atitude. 

4. Fortunato e Acaico (vs. 17-18) – Fortunato e Acaico acompanharam Estéfanas (v. 17) formando a comissão oficial que fora enviada de Corinto a Éfeso para tratar dos problemas da igreja com Paulo. Paulo destaca que o amor por eles demonstrado compensava a sua impossibilidade de ir a Corinto. Via nessa comissão representação autêntica da própria igreja, quando afirma: “estes supriram o que da vossa parte me falta” e “trouxeram refrigério ao meu espírito e ao vosso”. Seria muito bom que os membros de nossas igrejas se acostumassem a agir dessa maneira em relação aos seus líderes espirituais, estimulando-os e oferecendo-lhes refrigério. Muitos crentes somente compartilham com os seus líderes espirituais problemas e fardos e, raras vezes, bênçãos. Quem poderá ser conselheiro espiritual dos líderes? A quem devem procurar quando necessitam de refrigério espiritual e de encorajamento? Cada membro da igreja, se o quiser, poderá levar refrigério aos seus líderes espirituais e aliviá-los na árdua tarefa a que se dedicam. Foi por isso que Paulo estimulou os crentes de Corinto, no final do versículo 18 a reconhecerem homens como Fortunato e Acaico

5 Áquila e Priscila (v. 19) – Áquila e Priscila formavam um casal consagrado. Áquila era um judeu originário do Ponto (da costa sul do Mar Negro), mas se estabelecera em Roma. Quando o imperador Cláudio expulsou de Roma os judeus, ele e sua esposa Priscila foram para Corinto e, depois, quando Paulo esteve pela primeira vez naquela cidade, hospedou-se e trabalhou com eles (Atos 18:1-3). Era um casal que punha a sua casa a serviço do Senhor. Em Romanos 16:4 lemos que havia uma igreja em sua casa o que demonstra a sua grande hospitalidade. Lição importante para os crentes de hoje, muitas vezes egoístas em relação às coisas que possuem, não abrindo espaços para o Senhor usar no âmbito do seu “habitat”. Ambos eram corajosos, pois arriscaram a vida por Paulo (Romanos 16:4; Atos 19:29,30; 20:19). Eram competentes, pois instruíram Apolo na compreensão da fé (Atos 18:26). O casal trabalhava em conjunto para bem servir ao Senhor e dar assistência ao Seu servo Paulo. É interessante notar que das seis vezes em que o casal é mencionado, quatro vezes o nome de Priscila (Prisca - forma mais curta do seu nome) vem primeiro. Tratava-se, sem dúvida, de uma mulher notável, por seus próprios méritos. Dá a impressão de que ela era o personagem mais forte do casal, sendo uma testemunha fiel e uma líder dedicada. Exemplo digno de mulher cristã! Seria bom que cada igreja local pudesse agradecer a Deus por casais como Áquila e Priscila, isto é, pessoas que trabalhem juntas no serviço ao Senhor e ajudando os ministrantes da Palavra. O fato de Priscila despontar como líder melhor que o seu esposo, não impediu este de permanecer ao seu lado, unido com ela no glorioso ministério de Deus. Em 2 Timóteo 4:19, última carta de Paulo, ele envia saudação a Prisca e Áquila, por intermédio de Timóteo, que, naquela altura, supervisionava o trabalho em Éfeso. Esse notável casal dava agora assistência a Timóteo, da mesma forma como antes tinha dado a Paulo.   Quantos, hoje em dia, estariam dispostos a se mudarem de um lado para outro, como fizeram Priscila e Áquila, apenas por quererem ser usados totalmente pelo Senhor de uma forma melhor?   As implicações de uma mudança são muitas. Não é fácil encontrar pessoas com esse desprendimento e dedicação sacrifical, simplesmente para atenderem às conveniências da obra do Senhor e não as próprias! 

Conclusão: É fundamental para o sucesso da obra do Senhor, que o relacionamento entre os irmãos seja corretamente assumindo, adotando os princípios estabelecidos pelo Senhor em Sua Palavra. Vimos como o apóstolo Paulo preocupou-se muito com esse aspecto no seio da igreja, com preciosos ensinos fundamentados na sua própria experiência pessoal com os que com ele se relacionaram. Não desprezemos essas lições úteis, para contribuirmos decididamente com o bom desempenho espiritual da própria igreja. 

 

autor: Jayro Gonçalves.